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O Mistério da Causa das Doenças Raras

Genética, Metabolismo, Ambiente, Autoimunidade e Infecções



As doenças raras permanecem como desafios no campo da medicina, testando os limites do conhecimento humano e destacando a complexidade da nossa saúde. No Brasil, essas condições impactam a vida de mais de 13 milhões de pessoas, cujas jornadas muitas vezes se desdobram em terrenos desconhecidos para pacientes e profissionais da saúde. Estima-se que existem de 6 mil a 8 mil condições raras e cada uma representa um enigma único que aguarda solução. A seguir vamos analisar algumas das possíveis causas genéticas, fatores metabólicos, influências ambientais, autoimunidade e as conexões com infecções, que são gatilhos para o desencadeamento das doenças raras.


O Código por Trás das Doenças Raras


A base genética é responsável por 80% dessas condições únicas. Os genes, sequências específicas de DNA que contêm instruções para a produção de proteínas, desempenham um papel essencial no funcionamento normal das células e do organismo. Entre as principais causas genéticas, destacam-se:


1. Mutação Genética: As mutações, alterações no DNA, podem resultar na produção inadequada ou disfuncional de proteínas, levando ao desenvolvimento de doenças raras. Essas mutações podem ocorrer espontaneamente ou serem herdadas dos pais.


2. Herança Genética: Algumas doenças raras são transmitidas de geração em geração. Podem ser causadas por mutações em um único gene (doenças monogênicas) ou por diversas alterações genéticas complexas (doenças poligênicas).


3. Combinações Genéticas Raras: Algumas condições raras surgem de combinações únicas de alelos específicos, resultando em condições incomuns na população em geral.


4. Expressão Gênica Alterada: Além das mutações, a regulação inadequada da expressão gênica pode contribuir para doenças raras. Alterações nos elementos regulatórios do DNA ou em vias metabólicas podem desempenhar uma função nesse processo.


5. Cromossomopatias: Anomalias cromossômicas, como deleções, duplicações ou translocações, também podem estar associadas a algumas doenças raras.


A Genética e os Fatores Metabólicos: Uma Combinação Complexa


Os fatores metabólicos apresentam uma parte significativa no desenvolvimento de doenças raras. Essas condições resultam de alterações genéticas que afetam enzimas essenciais nos processos metabólicos. Algumas formas como fatores metabólicos contribuem para doenças raras incluem:


1. Erros Inatos do Metabolismo: Falhas em enzimas críticas podem levar ao acúmulo de substâncias tóxicas ou à deficiência de produtos essenciais, desencadeando doenças raras.


2. Acúmulo de Substâncias Tóxicas: Distúrbios metabólicos podem impedir a quebra adequada de substâncias, levando ao acúmulo e causando danos a tecidos e órgãos.


3. Deficiência de Produtos Essenciais: Um defeito genético pode resultar na incapacidade de sintetizar certos produtos essenciais, prejudicando funções metabólicas vitais.


4. Armazenamento Anormal de Substâncias: Algumas doenças metabólicas envolvem o armazenamento anormal de substâncias dentro das células, interferindo no funcionamento normal.


5. Impacto nos Órgãos e Sistemas: Alterações metabólicas podem afetar órgãos e sistemas, resultando em uma variedade de sintomas, desde problemas neurológicos até complicações cardíacas, hepáticas ou renais.


Exemplos de doenças raras relacionadas a fatores metabólicos incluem fenilcetonúria, homocistinúria e mucopolissacaridoses. O teste do pezinho é crucial na detecção precoce dessas condições, permitindo intervenções que podem melhorar significativamente os diagnósticos clínicos.


A Influência Externa nas Doenças Raras


Os fatores ambientais, embora muitas vezes em segundo plano, também são atribuídos ao desenvolvimento de algumas doenças raras, especialmente aquelas de origem genética. A interação complexa entre genes e ambiente, conhecida como epigenética, revela como o ambiente pode influenciar a expressão genética. Maneiras pelas quais os fatores ambientais podem estar ligados a doenças raras incluem:


1. Exposição a Substâncias Tóxicas: Produtos químicos no ambiente, como poluentes do ar e da água, podem contribuir para o desenvolvimento de doenças genéticas.


2. Radiação: A exposição à radiação, seja natural ou artificial, pode desencadear mutações genéticas e contribuir para o surgimento de doenças raras.


3. Infecções durante a Gravidez: Infecções gestacionais podem aumentar o risco de doenças raras em bebês, com a rubéola sendo um exemplo associado a defeitos congênitos.


4. Desnutrição e Estresse: Fatores relacionados à desnutrição e ao estresse podem afetar a expressão genética e influenciar o desenvolvimento de condições genéticas.


5. Eventos Traumáticos: Traumas físicos ou emocionais, especialmente durante períodos críticos de desenvolvimento, podem desencadear ou exacerbar doenças genéticas.


A relação exata entre fatores ambientais e doenças raras varia entre as condições. A pesquisa contínua em genética e epigenética é essencial para compreender como esses fatores interagem e contribuem para o desenvolvimento dessas patologias.


Quando o Próprio Corpo Ataca


Fatores autoimunes podem estar associados a algumas doenças raras. Nestas condições, o sistema imunológico ataca erroneamente os próprios tecidos do corpo, causando inflamação e danos. Algumas maneiras pelas quais a autoimunidade está relacionada a doenças raras incluem:


1. Ataques a Órgãos Específicos: Em doenças autoimunes raras, o sistema imunológico pode atacar órgãos ou tecidos específicos de maneira anormal, resultando em condições graves como a esclerodermia.


2. Produção de Autoanticorpos: O sistema imunológico pode produzir anticorpos que atacam as próprias células do corpo, desencadeando inflamação e danos nos tecidos. A síndrome de Guillain-Barré é um exemplo dessa condição.


3. Desregulação do Sistema Imunológico: Em algumas doenças autoimunes raras, uma desregulação geral do sistema imunológico pode levar a uma resposta inflamatória crônica e danos aos órgãos. A síndrome de Behçet é um exemplo desta categoria.


É crucial observar que nem todas as doenças raras têm uma base autoimune, e muitas são influenciadas por uma combinação complexa de fatores genéticos e ambientais.


Infecções Desencadeiam o Inesperado


Os fatores infecciosos também podem estar envolvidos no desencadeamento de algumas doenças raras, embora não seja uma característica comum a todas elas. A relação entre infecções e doenças raras varia dependendo do tipo específico de doença e dos mecanismos biológicos envolvidos. Algumas maneiras pelas quais as infecções podem estar relacionadas ao desenvolvimento de doenças raras incluem:


1. Infecções como Gatilho: Em alguns casos, uma infecção pode desencadear uma resposta autoimune, levando ao desenvolvimento de doenças autoimunes raras. Esta resposta ocorre quando o sistema imunológico ataca erroneamente as células saudáveis do corpo.


2. Infecções como Fator Desencadeante: Doenças genéticas ou predisposições podem permanecer latentes no corpo até serem ativadas por fatores externos, como infecções virais ou bacterianas. A presença de uma infecção pode desencadear a expressão de genes específicos associados a doenças raras.


3. Complicações Infecciosas: Em alguns casos, complicações de infecções podem levar ao desenvolvimento de condições raras. Certas infecções durante a gravidez, por exemplo, aumentam o risco de anomalias congênitas no feto.


As pesquisas nessas áreas buscam entender melhor as complexas interações entre fatores genéticos, ambientais e infecciosos que contribuem para o desenvolvimento de doenças raras.


O Caminho à Frente na Compreensão das Doenças Raras


As doenças raras continuam a desafiar a medicina, mas as pesquisas em genética e os avanços na tecnologia médica estão criando uma compreensão mais profunda da interação complexa entre genes, ambiente, autoimunidade e infecções.


Com a identificação das causas subjacentes, espera-se um futuro com tratamentos mais eficazes e estratégias preventivas para essas condições raras. O avanço científico promove uma compreensão, mesmo que ainda pequena, do complexo campo da genética e oferece esperança àqueles afetados pelas doenças raras,


Fontes:


Rio Grande do Sul. Secretaria Estadual da Saúde. Nota Técnica Atenção ao Indivíduo com Doenças Raras* [recurso eletrônico]. Porto Alegre, RS, 2022. xx f. Disponível em:<https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202205/25141244-nt-raras-final-completa.pdf>. Acesso em: 18 de dezembro de 2023.


https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2022/02/02/doencas-raras-atingem-cerca-de-13-milhoes-de-brasileiros#:~:text=Acromegalia%2C%20Diabetes%20Ins%C3%ADpida%2C%20Esclerose%20Lateral,em%20cada%2010%20mil%20indiv%C3%ADduos.


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